9 de outubro de 2019

Frades comemoram no Rio 100 anos da presença da Ordem Capuchinha no Paraná

“Onde houver possibilidade dos freis capuchinhos levar a semente do Evangelho, lá estaremos com certeza” (Frei Rogério Goldoni Silveira)

Frades do Parana 001; 29Emilton Rocha, com informações de Frei Diego Tavares / Fotos: Angela Zolhof

Frades Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina estiveram no Rio de Janeiro nos dias 5 e 6 de outubro, comemorando o centenário da chegada de 4 missionários ao Rio vindos da Itália, fato ocorrido em 5 de outubro de 1919. Na época, permaneceram por um bom tempo aqui e seguiram para São Paulo, lá chegando em 17 de dezembro do mesmo ano, partindo depois para Curitiba onde desembarcaram no dia 20 de janeiro de 1920, em cuja cidade a presença dos religiosos havia sido solicitada.

Segundo Frei Rogério Goldoni Silveira, integrante do grupo que veio do Paraná e Santa Catarina comemorar o centenário da chegada dos missionários italianos no Rio, o dia de 5 deste mês foi escolhido exatamente porque foi a data em que eles desembarcaram aqui há um século. No próximo dia 17 de dezembro, o grupo estará em São Paulo para a celebração da data e no dia 20 de janeiro de 2020, em Curitiba, onde estarão comemorando a chegada dos missionários na cidade há 100 anos.

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“Para nós, é uma alegria sem fim celebrarmos as datas, motivo para nós reavivarmos nossa esperança (…)”, disse Frei Rogério. “Eu peço, em nome de todos os confrades: rezem por nós para que mantenhamos firmes a nossa esperança e que consigamos levar adiante aquilo que o Senhor nos confiou. Rezem também pelos nossos confrades do Rio de Janeiro que tanto nos ajudaram e que tanto ajudam o povo desta cidade”, pediu.

“Cem anos se passaram” – lembrou –, “naturalmente as coisas mudaram: as estruturas, as nossas vidas, sendo que os trabalhos que os freis desempenhavam naquela época já não são os mesmos”, comparou. “Quando os frades precisavam se deslocar por tantos lugares para levar a semente do Evangelho, montavam em cavalos. Hoje já temos uma Ordem estruturada, com casa de formação, igreja, etc. O trabalho pode não ser o mesmo, mas continuamos crescendo como presença da Ordem lá no Sul. Onde houver possibilidade dos freis capuchinhos levar a semente do Evangelho, lá estaremos com certeza”, concluiu.

Capuchinhos no Brasil

Os Capuchinhos se instalaram oficialmente no Brasil em 1642, estabelecendo-se primeiramente em Olinda-PE e depois em Recife-PE, onde se encontra o convento da Penha que é o convento capuchinho mais antigo do Brasil.

Sem considerar na história oficial das missões no Brasil a sua participação, entre 1612 e 1615, na tentativa de criação da França Equinocial, adota-se a data em que foram capturados pelos holandeses em São Tomé (São Tomé e Príncipe) e trazidos para o Brasil, ao território da atual Província dos Capuchinhos do Nordeste, onde Maurício de Nassau, tolerante, lhes permitiu o trabalho missionário. A presença da Ordem teria uma grande influência local. São os capuchinhos os fundadores da aldeia de Nossa Senhora dos Remédios do Rio de Contas (1657), núcleo da atual cidade de Itacaré.

A ordem foi bastante ativa entre 1670 e 1700, como demonstra a relação das aldeias de franciscanos capuchinhos no rio São Francisco e suas missões no curso inferior do rio. Ficaram famosos nomes como o dos frades Martin de Nantes, Bernard de Nantes, François de Domfront, Anastácio de Audierne, José de Chanteugontier ou Chateaugontier, entre outros.

Nas aldeias, as relações entre os índios, os portugueses reinóis e os negros eram complexas, muito mais do que as relações exclusivas entre índios e padres. Em 1740, as aldeias entraram em crise, com fugas e rebeliões indígenas. Já não contavam mais com a proteção da poderosa família de Garcia d´Ávila. Perderam em 1759 definitivamente a administração das aldeias.

São remanescentes desses trabalhos realizados em terras pernambucanas os estimados freis da Província de Nossa Senhora da Penha do Nordeste do Brasil, que realizaram muitas ações pela população local. Ícone desse apostolado nordestino foi o frei Damião de Bozzano, que pregou incansavelmente Santa Missões nos estados de Pernambuco; Paraíba ; Alagoas; Rio grande do Norte e Ceará.

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