Papa Francisco reza em silêncio na Porciúncula de Assis

Francisco foi recebido por grupos de fiéis de diferentes nacionalidades, entre eles, espanhóis, franceses, poloneses e croatas

Por ACI Digital / Mercedes de la Torre

Papa Francisco reza na Porciúncula / Foto: Captura de Vídeo

O papa Francisco viajou a Assis hoje, 12 de novembro, e rezou em silêncio na Porciúncula que está localizada dentro da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis.

A Porciúncula é uma pequena capela onde são Francisco de Assis recebeu sua vocação em 1208 e viveu grande parte de sua vida.

No ano de 1216, enquanto Francisco estava na Porciúncula, em oração e contemplação, Cristo apareceu a ele e disse para pedir o favor que ele quisesse. No centro do coração de são Francisco estava sempre a salvação das almas.

A Porciúncula foi também o lugar onde são Francisco recebeu os votos de santa Clara. Em 3 de outubro de 1226 são Francisco morreu e, em seu leito de morte, confiou a seus irmãos o cuidado e a proteção da capela.

O papa saiu do Vaticano pela manhã e foi para a terra de são Francisco. Ao chegar, foi ao Mosteiro de Santa Clara, onde se reuniu com as religiosas de clausura da ordem das irmãs pobres de santa Clara. Segundo a sala de imprensa da Santa Sé, o papa “cumprimentou as clarissas e rezou com elas”.

Em seguida, o papa foi à basílica de Santa Maria dos Anjos para um encontro de oração e testemunhos por ocasião do Dia Mundial dos Pobres.

Antes de entrar na basílica, o papa percorreu toda a praça para cumprimentar as crianças das escolas de Assis que estavam presentes acompanhadas por professores e pais.

Depois, o papa foi recebido pelo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, dom Rino Fisichella, e saudou o bispo de Assis, dom Domenico Sorrentino; o bispo de Spoleto Norcia, dom Renato Boccardo; a vários frades franciscanos menores e algumas autoridades civis, incluindo o prefeito de Assis, que deu um presente ao papa.

Antes de entrar na Basílica de Santa Maria dos Anjos, alguns jovens deram ao papa um mantéu e um bastão, símbolos do peregrino. Em seguida, Francisco conversou com um refugiado da Eritreia e com outro adolescente estrangeiro.

Francisco foi recebido por grupos de fiéis de diferentes nacionalidades, entre eles, espanhóis, franceses, poloneses e croatas. O grupo de franceses estava acompanhado pelo arcebispo emérito de Lyon, cardeal Philippe Barbarin, e o papa parou para cumprimentá-lo.

O papa Francisco entrou na Basílica de Santa Maria dos Anjos com o bastão do peregrino de madeira que recebeu na chegada.

Na sua entrada, ele recebeu um buquê de flores e abençoou e cumprimentou muitas das pessoas presentes. Entre elas, um grupo de crianças em cadeira de rodas.

Por fim, o papa entrou na Porciúncula, onde se sentou e rezou em silêncio, acompanhado por dois franciscanos que permaneceram de pé.

Testemunhos

Depois de um momento de oração silenciosa, o papa ouviu diversos testemunhos de pessoas de diferentes nacionalidades. Alguns dos testemunhos foram intercalados com cantos.

O primeiro testemunho foi em francês, no qual um jovem casal de Paris com sua filhinha contou ao papa como se conheceram e que estão em missão como família.

O segundo testemunho foi em espanhol. Sebastián del Valle disse que nasceu em Palma de Maiorca e atualmente vive em Toledo. Ele contou que quando criança cresceu em uma família católica e ele tinha muita devoção ao Rosário. Mais tarde, ele se afastou de Deus e cometeu alguns crimes pelos quais esteve na prisão. Depois de sair da prisão, ficou sozinho, sem trabalho e viveu na rua por várias semanas, até que um pároco de uma cidade de Toledo o recebeu em um centro da Cáritas durante o confinamento e ele voltou a se aproximar de Deus. Sebastián comoveu-se e começou a chorar várias vezes.

O terceiro foi em francês e contou que cresceu em uma família e ambiente ateu e que quando adulto encontrou o Senhor e foi batizado.

O quarto depoimento foi em polonês, um homem de 37 anos narrou que desde os 16 anos caiu nas drogas e no álcool e que desde 2007 mora na rua.

O quinto testemunho foi de Farzaneh, um jovem refugiado do Afeganistão, que contou as atuais dificuldades do país e agradeceu pela acolhida na Itália.

Após um intervalo de dez minutos, deram os dois últimos testemunhos: um casal idoso do Afeganistão, residente na Itália, que contou que um de seus filhos foi assassinado pelos talibãs.

O último testemunho foi de uma mulher de 43 anos em uma cadeira de rodas que que nasceu na Romênia. Ela disse que chegou à Itália há 15 anos. Inicialmente, em 2006, para cuidar de idosos, ela teve que deixar dois filhos pequenos com seu marido, mas em 2008 seu marido morreu e ela voltou para seu país natal, mas após a morte de seu marido ela voltou para a Itália com seus dois filhos. No entanto, contou como começou sua doença, que fez mais de dez operações, as dores fortes, que perdeu o emprego e que não tem sido fácil.

Ao concluir os testemunhos, o papa pronunciou um discurso com muitos improvisos e finalmente presidiu um momento de oração emocionante, formado por diferentes orações e que concluiu com a bênção do papa e com o canto em latim da Salve Regina, pouco antes do meio-dia.

Por fim, o papa parou para cumprimentar centenas de pessoas.

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