Natividade de São João Batista

“De São João Batista temos algumas virtudes para imitar, dentre elas, o ardor missionário e a coragem de anunciar a Palavra de Deus”

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.*

FOTO: CATHOLICTRADITION.ORG/

Celebramos, no dia 24 de junho, a Natividade de São João Batista, que acontece seis meses antes do Natal, pois se bem lembrarmos, após o anjo Gabriel ter feito o anúncio a Maria, ela vai ao encontro de sua prima Isabel e fica três meses com ela. Aquele já era o sexto mês de gravidez de Isabel. Maria fica com Isabel até ela dar à luz, depois, volta para casa e, após seis meses, nasce Jesus. Neste ano, devido à coincidência de datas, essa festa está sendo celebrada no dia 23 de junho, exceto nas igrejas em que São João Batista é o titular.

João Batista era primo de Jesus, recebe o nome de Batista porque batizava. Ele batizava com água, mas viria Jesus que batizaria com a água e o Espírito Santo. Ele é o precursor, aquele que veio preparar a chegada do Messias. Muitos achavam que ele seria o Messias, mas ele mesmo diz que não era, mas veio para preparar o povo para a chegada do Messias.

Um fato relevante de celebrarmos essa Festa da Natividade de João Batista é que, normalmente, se celebra a memória ou festa de um santo no dia de sua morte e não o dia de seu nascimento. Os únicos que celebramos o nascimento é Nossa Senhora e Jesus. João Batista se celebra o nascimento (24 de junho) e a morte (29 de agosto). Dessa forma, a Igreja celebra os seus dois nascimentos, para a vida terrena e para a vida eterna. Isso ocorre devido à importância histórica de João Batista e por ele ter sido o precursor e já purificado no seio de Isabel com a visita de Jesus no ventre de Maria.

João Batista foi o profeta que fez a ponte entre o Antigo e o Novo Testamento, anunciando aquele que viria para selar a aliança eterna. João Batista era um profeta, pois denunciava aquilo que via de errado e anunciava a verdade e a justiça contida na Palavra de Deus. Mesmo sabendo que algumas pessoas o consideravam o Messias, ele afirmava que não era e que estava preparando o caminho para o Messias que viria e que não era digno nem de desatar a correia de suas sandálias. Quando as pessoas o queriam exaltar, ele dizia: “Que ele cresça e eu diminua”.

O nome ‘João’ significa ‘presente de Deus’, por isso aparece com ênfase no Evangelho e, de fato, ele foi um presente de Deus, pois Isabel e Zacarias já eram de idade avançada e ela era considerada estéril. Por uma intervenção divina, fica grávida. Foi o anjo que revelou a Zacarias que o menino se chamaria João, até os parentes diziam que não havia ninguém na família com aquele nome. Esse fato quer mostrar que tudo é dom de Deus para nós.

João Batista batiza o próprio autor do batismo, ou seja, Jesus. No momento do batismo é revelado o Espírito Santo, Jesus vai para o deserto sofrer as tentações e, depois, inicia a Sua vida pública. Ele é aquele que batiza, por isso recebe o sobrenome de Batista. João optou por usar roupas simples e viver no deserto, pois o deserto é o lugar do encontro com Deus, e do deserto ele sai ao mundo para anunciar a Palavra de Deus.

Jesus, ao falar de João Batista, faz um elogio a João, não pelo fato de ser Seu primo, mas porque era, de fato, um grande profeta. Para Jesus, João Batista é o maior de todos os profetas do Antigo Testamento, ele faz o elo entre o antigo e o novo. João viu e batizou Jesus, cuja vinda foi esperada durante todo o Antigo Testamento.

Podemos observar, a partir da pregação de João, que ele foi um profeta bem exigente, cobrava cada pessoa para que vivesse a justiça e a caridade e, por meio do batismo, se convertesse a Deus. Se o comportamento da pessoa não era adequado, ele exigia que a pessoa mudasse de conduta. Por isso, suas palavras incomodavam muita gente, foi até a causa de seu martírio. Herodes estava confuso e não queria mais ouvir João.

Jesus inicia a sua pregação em um ambiente preparado pela pregação do precursor: João Batista. João preparou todo o povo para acolher o Messias que chegaria. Cada um de nós, nos dias de hoje, pode ser João Batista, anunciando a Palavra de Deus no ambiente em que estivermos e denunciar aquilo que vemos de errado, que não condiz com a Palavra de Deus. Podemos e devemos ser profetas nos dias de hoje. Deus quer contar conosco para que o bem aconteça e sua maravilhosa criação continue se aperfeiçoando.

Sempre quando celebramos a memória litúrgica de um santo, devemos imitar alguma virtude daquele santo. De São João Batista temos algumas virtudes para imitar, dentre elas, o ardor missionário e a coragem de anunciar a Palavra de Deus. Outra virtude que podemos imitar de João é o profetismo e a bravura de denunciar aquilo que está errado e mostrar o caminho correto.

Celebremos com alegria a natividade de São João Batista, nesses dias 23/24 de junho. Muitas comunidades e paróquias, depois de dois anos, vão celebrar com as igrejas cheias essa data, ainda prepararão as tradicionais fogueiras e realizarão suas bênçãos. E muitas promoverão festas juninas celebrando não só São João, mas todos os santos desse mês de junho.

Celebremos a Festa de São João Batista, já nos preparando para daqui a seis meses celebrarmos o Natal do Senhor. Sejamos profetas nos dias de hoje e tenhamos a coragem de anunciar a Palavra, testemunhando o Messias.

*Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Publicado originalmente no jornal “Testemunho de Fé”, da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Artigo anteriorSanto do dia 19 de junho: São Romualdo
Próximo artigoMilhares de fiéis vão ao encerramento da Festa do Romeiro em Baependi