12 de janeiro de 2021

Mais de 200 padres italianos morreram de Covid-19 em menos de um ano

Os padres italianos morrem a uma taxa de um a cada dia e meio desde o início da pandemia

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O clero da Itália foi atingido de maneira especialmente dura pela pandemia. Há relatos de que, das quase 80.000 mortes relacionadas à Covid-19 na Itália, mais de 200 delas eram padres católicos. De acordo com um artigo de Catholic News Agency, 200 padres morreram de Covid-19 em 2020. Esta taxa não diminuiu em 2021, já que outros 4 padres sucumbiram à doença em janeiro. A reportagem observa que, desde o início da pandemia, padres italianos morreram a uma taxa de um a cada dia e meio.

Idosos

O artigo prossegue observando que a maioria desses homens estava na casa dos 70 e 80 anos. O padre mais jovem a morrer de Covid-19 na Itália foi Alfredo Nicolardi, 58 anos, da Diocese de Como.

Em junho, Rome Reports observou que o clero italiano era o segundo grupo mais afetado depois dos profissionais da saúde. Segundo as informações da época, os padres católicos da Itália corriam mais riscos por causa de sua idade. Eles também correram um risco maior porque não cessaram seus deveres sacerdotais. Os paroquianos da Itália estão se recuperando das perdas cumulativas.

As comunidades de freiras da Itália também sofrem. CNA observa que houve casos em que conventos inteiros foram infectados. Eles citaram um caso em que 104 das 114 freiras de um convento foram infectadas pelo novo coronavírus no final de dezembro.

Este bispo já curado explica como se sente o paciente com coronavírus

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Dom Antonio Napolioni foi o primeiro bispo a vencer a Covid-19

“Na terça-feira, 17 de março, voltei para casa após 10 dias internado no Hospital de Cremona por pneumonia causada por Covid-19.”

“Meu primeiro pensamento de imensa gratidão é para os médicos, enfermeiros e toda a equipe do departamento de Pneumologia.”

“A todos que trabalham além de suas forças, com oração, com solidariedade, com o rigor que este momento delicado exige.”

Essa é a mensagem publicada no Facebook por Dom Antonio Napolioni, Bispo de Cremona (Itália), que ficou doente em decorrência do coronavírus.

Depois de 10 dias no hospital, ele voltou à casa episcopal, onde permanecerá em quarentena até o momento apropriado.

Na sexta-feira, 7 de março, ele teve que ser internado no Hospital de sua cidade porque apresentava os sintomas do Covid-19.

Depois de alguns dias, a equipe médica confirmou suas suspeitas. De fato, o vírus tinha se alastrado na cidade e estava causando muitos danos à comunidade.

Graças aos cuidados médicos, o bispo conseguiu se recuperar e receber alta.

“Sou grato – acrescentou o bispo no Facebook – pelas inúmeras palavras da Igreja Cremonesa, do episcopado italiano. Recebo muitas mensagens de incentivo.”

”Percebi que estava sendo levado, como em um único corpo, aonde aqueles que cuidam e são cuidados são rostos concretos do Senhor Jesus. Sua Páscoa regenerará a esperança e nos colocará de volta na estrada. Eu os abraço ‘virtualmente’.”

A doença

O bispo disse ao Avvenire o que sentiu quando os sintomas do Covid-19 foram descobertos.

“Dias antes, eu estava em uma visita pastoral. Eu já sentia os sintomas, estava tendo problemas para respirar. Felizmente, o diagnóstico foi imediato e isso permitiu que a situação mudasse em alguns dias.”

No hospital, ele explica: “Eu estava isolado”. Encontrei uma grande força de médicos e paramédicos, uma lição de humanidade e profissionalismo, de impressionante dedicação.”

Naqueles dias, “eu senti muito carinho. Os trabalhadores pedem o apoio da oração. Vou continuar a rezar por eles e com eles. A arma poderosa é permanecer espiritualmente lúcido, confiar-se ao Senhor, que também é pai nessas situações.”

Do terremoto à pandemia

Essa experiência está deixando uma marca interna indelével. “Sempre achei que o bispo deveria se identificar com o povo. Quando cheguei a Cremona, imaginei problemas como o terremoto, pensei em possíveis inundações, mas nunca pensei em uma pandemia viral. É a vida que nos pede para compartilhar essa realidade. Um problema não impede de amar, se esforçar e suportar.”

Para os enfermos, Dom Napolioni diz: “encomendem-se com confiança àqueles que cuidam de vocês. Sintam a cada momento que a recuperação é possível. É preciso ter uma esperança viva.”

E sobre o papel da Igreja neste momento, ele afirma que a Igreja “é esta mãe que se importa com o sentido da vida. É este grande abraço que diz: ‘veja o que estamos conseguindo”.

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