22 de janeiro de 2015

Igreja no Rio abre processo de beatificação de Guido

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Guido: aberto processo de beatificação

A abertura do processo de beatificação do seminarista, médico e surfista Guido Vidal França Schäffer, falecido em 1º de maio de 2009, foi marcada por quatro diferentes momentos, incluídos na Trezena e na festa em honra a São Sebastião: a exumação do corpo, o ato jurídico de abertura do processo de beatificação e o reconhecimento canônico dos restos mortais. Por último, a cerimônia de acolhida de seus restos mortais, realizada na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, onde frequentava. 

Exumação e ato jurídico canônico

Para dar início ao processo de beatificação, a exumação do corpo foi realizada no dia 12 de janeiro, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, onde estava enterrado desde o sepultamento.

A instauração do Tribunal Eclesiástico para pesquisa da vida e das virtudes de Guido aconteceu através do ato jurídico canônico, realizado no dia 17 de janeiro, às 18h, na Basílica Imaculada Conceição, em Botafogo. Na oportunidade, foi lida a carta enviada pelo Cardeal Ângelo Amato, prefeito da Congregação da Causa dos Santos, do Vaticano, dando o nihil obstat (nada consta) para o início do processo.

A partir de agora ele passa a ser chamado Servo de Deus. 

Reconhecimento canônico dos restos mortais

O reconhecimento canônico dos restos mortais de Guido foi realizado no dia 20 de janeiro, na Paróquia São Sebastião, na Tijuca, durante celebração festiva em honra ao santo padroeiro, presidida pelo cardeal arcebispo Dom Orani João Tempesta.

Diante de uma multidão de fiéis e devotos, a ata de reconhecimento foi assinada por seus familiares: a mãe, Maria Nazareth França Schäffer, e os irmãos, Angela Schäffer Isnard e Maurício Vidal França Schäffer. Também os bispos presentes e o padre Jorge Luiz Neves Pereira da Silva (Jorjão), vigário da Paróquia Nossa Senhora da Paz, que lançou no dia 19 de janeiro o livro “Guido: mensageiro do Espírito Santo”.

“Este reconhecimento vai ajudar a impulsionar o que ele queria fazer: trazer mais pessoas a Cristo e mostrar o exemplo de Deus na Terra, que hoje vive tanta violência. Por isso estou muito contente. Agradeço por esta bênção que tem sido o processo de beatificação, por poder mostrar a todos a história dele, que é a história de como Cristo mudou a vida dele”, afirmou o irmão de Guido, Maurício.

A celebração, que contou com a presença de bispos, sacerdotes, religiosos e autoridades civis, entre elas o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o presidente do Comitê Rio 450, Marcelo Calero, foi marcada com a elevação da paróquia a Santuário Arquidiocesano. 

Carreata

Após a celebração, a urna com os restos mortais do Servo de Deus foi transladada, a céu aberto, num carro do Corpo de Bombeiros, em carreata até a Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, onde permanecerá para visitação. No carro dos Bombeiros em que a urna foi levada, surfistas amigos de Guido empunhavam suas pranchas, prestando-lhe homenagem. O destaque foi uma prancha onde se lia “Jesus is our wave”, em português: “Jesus é nossa onda”, presente de um deles para Guido. Essa prancha foi colocada ao lado do novo túmulo do Servo de Deus.

“Um grande amigo nosso, que surfa conosco, o Rômulo, já tinha essa prancha. Pensamos: nada mais justo trazermos ela, porque é o que o Guido falaria: Jesus realmente era a onda dele”, disse Ricardo Bretas, um dos amigos que foi no carro dos Bombeiros. 

Cerimônia em Ipanema

Na chegada da carreata à Paróquia Nossa Senhora da Paz, o pároco, monsenhor Manuel Moreira Vieira, celebrava uma missa. Com a igreja lotada, entraram, em procissão, levando a urna de Guido: o irmão, Maurício, e o amigo Eduardo Martins, que lhe emprestou a prancha com a qual ele surfava no dia em que faleceu. Acompanhando estavam duas médicas, algumas irmãs Missionárias da Caridade, congregação junto à qual Guido fazia um trabalho social de atendimento médico aos moradores de rua, e os surfistas com suas pranchas.

“O fato é trágico, mas ao olharmos os fatos com atenção, percebemos os sinais de Deus. O Rio tem muitas belezas naturais, mas o que poucos conhecem é a santidade de alguns que vivem aqui. Também os santos e santas ajudam a formar a beleza da nossa cidade”, destacou Dom Orani na celebração. 

Santidade no Brasil

Segundo Dom Roberto, vigário episcopal para a Vida Consagrada, no Brasil somente três pessoas foram canonizadas: Frei Galvão, José de Anchieta e Madre Paulina. Entre os beatificados estão: Irmã Dulce, Nhá Chica, Padre Eustáquio, Irmã Antonieta, Padre Mariano de La Matta e Albertina Berkenbrock. Atualmente existem mais de 60 processos em andamento. 

Encerramento do processo arquidiocesano de Odetinha

Também no dia 17 de janeiro, no ato de abertura do processo de Guido, foi encerrado o processo arquidiocesano da Serva de Deus Odette Vidal de Oliveira, conhecida como Odetinha.

A documentação reunida pelo Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese do Rio será enviada ao Vaticano e, depois da análise da Congregação para a Causa dos Santos, ela poderá passar a ser chamada de “Venerável”, caso sua biografia seja aceita como trajetória iluminada.

Fonte: Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro | Foto: Gustavo de Oliveira

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