21 de maio de 2018

Fraternidade de São Sebastião realiza encontro de irmãos leigos

Frei Luiz Carlos destacou o desafio da província de constituir fraternidades compostas de irmãos onde não haja distinção entre clérigos e não clérigos, mas que sejam todos irmãos uns dos outros

sitePor Frei Elder Alex Cuqueto

O encontro com irmãos leigos da Província Nossa Senhora dos Anjos, realizado nos dias 19 e 20 de maio na Fraternidade de São Sebastião na Tijuca (RJ), constou de dois momentos formativos que teve como objetivo repassar o que foi visto e trabalhado nos dois encontros de irmãos leigos franciscanos das quatro obediências, realizado a nível nacional ocorrido anteriormente em Agudos (SP), em 2015, e em Vila Velha (ES), em 2017.

O primeiro momento foi assessorado por frei Aender Luiz de Souza, que fez o repasse a respeito do tema refletido em Agudos que tratava sobre “A vocação e o Projeto do Irmão Leigo”. Visto de uma perspectiva mais psicológica, este encontro abordava a vocação do irmão leigo e da construção de um projeto de vida para sua atuação dentro da instituição (província), de acordo com suas aptidões naturais e carismas em consonância com as necessidades e características de sua província. Dessa forma, foi vista a precisão de retomar o ponto de partida da história pessoal: as aspirações primeiras do frade, a necessidade de um acompanhamento especializado e de uma formação continuada, como também estar atento ao processo de discernimento da vocação, isto é, assumir a história de vida com seus erros e acertos para poder ressiginificá-la e então impulsionar nossa vida para o projeto que desejamos assumir.

Foi discutida ainda a importância de ter um Projeto de Vida que oriente o irmão leigo em seu caminho, onde o Reino é o ideal que deve impulsionar esse projeto para que ele não se torne um mero tarefeiro.

Viu-se ainda que a descoberta para o caminho profissional, como caminho vocacional pressupõe o autoconhecimento e um bom discernimento. A tomada de consciência sobre o carisma pessoal e as necessidades da Província são fundamentais para esse discernimento.

Foi destacada também a importância de se conjugar a realidade profissional com a vivência do carisma na fraternidade, integrando o bom profissional com o bom frade. E já, ao final da exposição, explicitou-se a respeito da necessidade de se manter uma abertura do Projeto de vida, devendo este ser flexível e suscetível às mudanças de acordo com a realidade da Ordem e da Província e em relação aos apelos dos sinais dos tempos.

Discutiu-se a importância um Projeto de Vida que oriente o irmão leigo em seu caminho, onde o Reino é o ideal que deve impulsionar esse projeto para que ele não se torne um mero tarefeiro.

O segundo momento foi assessorado por frei Almir Silva, que trouxe reflexões a respeito do segundo encontro realizado em Vila Velha, com a temática “Vida Religiosa Consagrada em Processo de transformação – Perspectivas para o Irmão Leigo Franciscano”. As palavras-chaves para reflexão desse tema foram: clericalismo, redescobrimento da vocação, Processo de transformação, perspectivas para o irmão e valorização do apostolado. Foram abordados o clericalismo e o tradicionalismo como elementos voltados à realidade eclesial e muito presentes nos frades mais jovens, além da fraternidade como sinal do Reino de Deus. Deu-se ainda destaque ao relacionamento com o sagrado a partir da cultura moderna, onde parece termos entrado em uma crise no qual se sobressai o caos, mas é preciso lembrar que é no caos que algo se cria. Reformar, regenerar, relançar, e requalificar foram palavras destacados ao se falar sobre o assunto. Refletiu-se ainda a maneira de viver o apostolado em meio a um mundo multicultural, pluralista e virtual.

Por fim, fez-se referências às novas formas de comunidade de vida que surgem, onde as mesmas possuem elementos fortes, como a experiência comunitária, sendo porém instáveis por diversos motivos.

Concluindo a reflexão, foi elucidado a respeito dos desafios: as dificuldades, as alegrias e realidades de ser irmão leigo em nossa província, levando em conta a sua história e sua realidade atual com suas características e estruturas básicas, onde as elas podem e são capazes de oferecer possibilidades e campo de trabalho, tanto apostólico quanto profissional, adequado para o frade que opta pelo laicato.

Ao final do dia, fez-se presente no encontro, com uma breve reflexão, o provincial frei Luiz Carlos Siqueira, que destacou que somos uma Ordem de irmãos. Explicou que entre as quatro obediências, a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos é a que mais insiste e persiste na ideia de que todos os irmãos da Ordem tenham direitos iguais e possam prestar seus serviços em todos os níveis e frente de trabalho na Ordem de forma indistinta, sejam eles sacerdotes ou não.

O provincial ressaltou que o primeiro desafio da Província para os frades que desejam seguir a vocação laical seria a formação teológica e que, sem ela, a província perdeu muitos e bons frades em vista de sua profissionalização. Referiu-se aos frades que contribuem para a economia da província em suas fraternidades, onde estão presentes, desempenhando trabalhos do cotidiano mas que exigem determinação e paciência. O provincial citou como exemplo alguns trabalhos como horticultura, sacristia, hospedaria, cuidador dos enfermos, entre outros – geralmente serviços simples. Razão pela qual passam despercebidos pela maioria dos frades em geral, mas que, se mensurados, geram uma contenção de gastos e reforçam o testemunho de vida fraterna e os laços da fraternidade.

Por fim, Frei Luiz Carlos acentuou o desafio da província de se constituir fraternidades compostas de irmãos, isto é, onde não haja distinção entre clérigos e não clérigos, mas que sejam todos irmãos uns dos outros.

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