
No século XVI, o Papa Paulo IV reforçou essa prática e incentivou os fiéis a substituírem a carne vermelha pelo peixe como um gesto de penitência e renúncia.
Letícia Dias / A12 Redação
Com a chegada da Quaresma, muitos católicos seguem a tradição de substituir a carne vermelha pelo peixe, de modo particular nas sextas-feiras. Esse costume, enraizado na história da Igreja, está ligado à penitência e ao sacrifício, práticas comuns deste tempo litúrgico.
Evitar carne durante a Quaresma tem raízes nos primeiros séculos do cristianismo. Os primeiros cristãos já adotavam jejuns como forma de purificação espiritual e preparação para a celebração da ressurreição de Cristo. Com o tempo, essa tradição foi reforçada pela Igreja.
Já no século XVI, o Papa Paulo IV reforçou essa prática e incentivou os fiéis a substituírem a carne vermelha pelo peixe como um gesto de penitência e renúncia.

Uma dúvida comum é: por que o peixe é permitido na Quaresma, enquanto frango e outras carnes brancas não são?
Nas Sagradas Escrituras, São Paulo afirma:
“Nem todas as carnes são iguais: uma é a dos homens e outra a dos animais; a das aves difere da dos peixes” (1 Coríntios 15,39).
Historicamente, a Igreja classificou os animais terrestres como aqueles cuja carne deveria ser evitada durante a Quaresma, pois eram associados à fartura e ao luxo e também considerados de “sangue quente”. Já o peixe, “de sangue frio”, por ser um alimento mais simples e ligado à vida dos pescadores, muitos dos quais eram discípulos de Jesus, foi permitido como alternativa.
Além disso, o peixe tem um forte simbolismo cristão. Nos primeiros séculos, os cristãos perseguidos usavam o desenho de um peixe como um sinal de sua fé. Nosso Senhor mesmo multiplicou os peixes para alimentar a multidão (Mt 14,13-21).
O sentido da abstinência
O objetivo da abstinência de carne na Quaresma não é apenas uma mudança alimentar, mas um convite à conversão interior. A Igreja ensina que esse período deve ser vivido com oração, jejum e caridade.
Ao longo dos séculos, a tradição da abstinência de carne se adaptou às realidades culturais e econômicas de cada época, mas sua essência permanece a mesma: um ato de humildade, desapego e união com o sacrifício de Cristo.
Assim, mais do que uma questão alimentar, o consumo de peixe na Quaresma se torna um símbolo da vivência da fé e da preparação para a Páscoa.