CARACAS - Frei Luis Antonio Salazar é um frade capuchinho de 34 anos que convida os seus milhares de seguidores nas redes sociais a "viver o evangelho" e está cada vez mais convencido de que as tecnologias de comunicação são o "novo púlpito da Igreja".

O frade usa vídeos curtos e uma linguagem próxima para explicar o evangelho e temas sobre a doutrina da Igreja Católica. Atualmente, possui mais de 53 mil seguidores no Instagram e 4 mil no Facebook.

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26 de junho de 2019

Redes sociais são novo “púlpito” para a Igreja, afirma frade venezuelano

“Temos que entender que este é o novo púlpito da Igreja. Eu sinto que esta é a nossa paróquia digital, através da qual também estamos evangelizando e pregando Cristo”

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Frei Luis Antonio Salazar

Por ACI Digital

CARACAS – Frei Luis Antonio Salazar é um frade capuchinho de 34 anos que convida os seus milhares de seguidores nas redes sociais a “viver o evangelho” e está cada vez mais convencido de que as tecnologias de comunicação são o “novo púlpito da Igreja”.

O frade usa vídeos curtos e uma linguagem próxima para explicar o evangelho e temas sobre a doutrina da Igreja Católica. Atualmente, possui mais de 53 mil seguidores no Instagram e 4 mil no Facebook.

“Começamos de maneira muito rudimentar, com pouca luz e até mesmo com um áudio de qualidade não tão boa. No entanto, isso começou a atrair as pessoas e nos ajudou a melhorar em cada edição de ‘Vivir el Evangelio’ (Viver o Evangelho, em português). Tivemos o feedback com as pessoas”, recordou.

Em diálogo com o Grupo ACI, o religioso comentou que a iniciativa de evangelizar pelas redes sociais foi, sem dúvida, “uma inspiração do Espírito Santo”. Do mesmo modo, contou que um jovem, estudante de comunicação social e membro da juventude franciscana de sua paróquia, se ofereceu para ajudar a promover sua conta do Instagram @flash7.0, que nesse momento contava com 5 mil seguidores.

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“Foi muito espontâneo como as coisas do espírito”, expressou.

O sacerdote entrou na ordem dos frades capuchinhos aos 18 anos, em 2003, e tem 5 anos de sacerdócio. Atualmente, é pároco na Igreja de Nossa Senhora de Chiquinquirá, localizada em Caracas (Venezuela).

“Temos que entender que este é o novo púlpito da Igreja. Eu sinto que esta é a nossa paróquia digital, através da qual também estamos evangelizando e pregando Cristo”, refletiu.

Nesse sentido, o frade sente que está cumprindo com o mandato que Cristo deu aos seus apóstolos: “ide e anunciai a boa nova a todas as nações”.

“Temos que tentar levar esta mensagem de Jesus às pessoas através de todas as redes sociais: Twitter, Instagram, Facebook, YouTube, para que fiquem com algo que as ajude e transforme as suas vidas, e assim percebam que não é tão difícil seguir a Jesus. Só é preciso se comprometer”, assegurou.

“Estas são as novas redes que estamos lançando ao mundo para pescar homens e mulheres para Deus”, refletiu o religioso sobre a missão que Cristo deixou aos católicos.

A situação no seu país: Venezuela

Sobre a difícil situação que se vive na Venezuela, o frade comentou que “as crises nos fazem crescer”. “Os venezuelanos precisam de pessoas que lhes deem esperança e lhes recordem que Deus está conosco, que nos acompanha, que não nos abandonou”, exortou.

Também manifestou que “hoje, mais do que nunca, esse meio nos ajuda a ter entusiasmo”. “A palavra entusiasmo provém do grego ‘entheos’ e significa ‘ter Deus dentro’. É preciso elevar o entusiasmo do povo, ou seja, que tenham a consciência de que têm Deus dentro e que isso fará com que seja possível que tenhamos um país melhor”, explicou.

Por isso, disse que “render-se também é um pecado” e que não pode acontecer neste momento. “Com o entusiasmo bem fortalecido e a virtude da esperança, temos que dizer: ‘queremos reconstruir um país’”, acrescentou.

O frade ainda destacou seu desejo de transformar a Venezuela em uma “lâmpada” que “ilumine toda a América”.

Frei Luis também comentou as últimas estatísticas que indicam que, para 80% dos venezuelanos, a instituição com maior credibilidade no país é a Igreja Católica.

“Nós, como Igreja, temos o papel fundamental de estar com o povo, como também assinala a Conferência Episcopal Venezuelana”, declarou. Da mesma forma, disse que sua comunidade tem realizado cinco grandes apostolados de caridade, entre os quais a “olla milagrosa” (panela milagrosa, em português), que atende semanalmente cerca de 600 pessoas que carecem de alimentos.

Também contam com uma “sala de espera”, onde fornecem 15 minutos de evangelização antes de distribuir a comida para os necessitados. “Nós não alimentamos apenas o corpo, mas também a alma”, assegurou.

Outros apostolados são “Remédio entre todos”, onde os leigos são responsáveis ​​por fornecer medicamentos aos necessitados; “El Ropero” (O Guarda-Roupas, em português) destinado aos pobres; e “O quilo de amor”, um conjunto de bens que o sacerdote entrega às pessoas em situação de rua.

Esses apostolados estão ligados ao serviço diário de alimentação para idosos e crianças que se localiza no bairro de Chapellín. O frade ressaltou que, como Igreja, estão se preparando para a mudança, porque “Deus quer o melhor para a Venezuela”, e por isso é importante “tornar-se mais consciente de que merecemos um país melhor do que temos”.

“A melhor coisa que poderia ter acontecido comigo na vida é ser um frade capuchinho”

Frei Luis Antonio Salazar sentiu o chamado por volta dos 17 anos de idade.

“Quando era adolescente, nunca quis ser padre, muito menos frade capuchinho. Comecei a sentir um vazio nessa idade… queria ser arquiteto, para consertar as casas do bairro pobre onde morava; depois quis ser médico, quando meu pai teve um infarto, porque queria ajudar os doentes; quis inclusive estudar comunicação audiovisual”, comentou.

Finalmente, Frei Luis destacou que a vida religiosa lhe permitiu ser “arquiteto da Igreja, no bom estilo de São Francisco de Assis, doutor de almas e comunicador do Evangelho”.

“Descobri minha vocação porque sentia que estava faltando alguma coisa na vida, sentia tristeza. Fiz a convivência com os frades e descobri que era lá que me sentia pleno e realizado como ser humano”, concluiu.

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