8 de outubro de 2018

Mostra reúne obras inspiradas em São Francisco de Assis

Obras italianas inéditas no Brasil poderão ser vistas no Rio em novembro

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Arte: ‘La Madonna del latte con i SS. Sebastiano, Rocco, Francesco e Antonio da Padova’ (Sec. XVI) Foto: Reprodução

Transcrito de O Globo

RIO — Símbolo de humildade e devoção, São Francisco de Assis, celebrado na última quinta (4 de outubro), inspirou diversos artistas ao longo do tempo. Do renascimento ao barroco, do século XV ao XVIII, a exposição “São Francisco na arte de mestres italianos” reúne obras inéditas no Brasil feitas por artistas como Tiziano (1480-1576). Em cartaz na Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, até o dia 21 de outubro, a mostra chega em breve ao Rio, onde será vista no Museu Nacional de Belas Artes, de 5 de novembro a 27 de janeiro de 2019.

— São Francisco era rico e decidiu viver como pobre para passar uma mensagem de generosidade. Além disso, emanava um carisma que levou dezenas de artistas a contarem sua trajetória. É o santo mais representado da história da arte — diz o italiano Stefano Papetti, curador da exposição ao lado de Giovanni Morello.

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‘San Francesco riceve le stimmate’ pintado por Tiziano em 1570 Foto: Reprodução

A mostra apresenta um estudo da iconografia de Assis a partir de 20 obras de nomes como Perugino (1446-1523), Guercino (1591-1666) e Guido Reni (1575-1642), além de Tiziano. São trabalhos que vieram de 15 museus de sete cidades italianas, além do quadro “São Francisco contemplando um crânio”, de Cigoli (1559 -1613), que pertence a um colecionador particular de Nova York e saiu de lá especialmente para a mostra no Brasil.

— É um quadro que só pode ser visto fora da Itália, já que o proprietário tem medo que o governo italiano o retenha, e por isso nunca o cede para mostras por lá — conta Papetti.

Circular pela exposição é acompanhar a evolução de três fases da representação do santo dos pobres. Elas estão dividas nos temas “Imagem”, “Os estigmas” e “Conversas sagradas”. No primeiro, sua aparência sofrida ganha destaque, tendo como influência as primeiras representações que seguiram sua canonização dois anos após sua morte em 1226.

Em “Os estigmas”, sai de cena o São Francisco abatido para dar lugar a um homem de força espiritual. Nessas obras também está representado o aparecimento dos “estigmas” no corpo de Francisco — marcas semelhantes aos pontos da crucificação de Jesus. É o episódio mais retratado da vida do santo e o núcleo com maior número de pinturas da exposição.

Essa fase de sua iconografia é influenciada pelas pinturas de Giotto (1267-1337) na Basílica Superior de Assis. Os famosos afrescos da igreja que fica na Itália central também podem ser “vistos” na exposição graças a uma experiência de realidade virtual com óculos 3D.

Já na última parte da mostra, “Conversas sagradas”, a imagem do santo aparece associada à Virgem Maria com o Menino Jesus. Esta fase é considerada o ápice da sua importância religiosa.

Padroeiro da Itália, dos animais e da natureza, São Francisco de Assis foi escolhido, em 2013, pela primeira vez, para “batizar” um papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio — atual líder máximo da Igreja Católica. Sinal de sua atualidade, defende o curador Papetti.

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Jan Niklas viajou a convite da Casa Fiat de Cultura

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