2 de março de 2018

Cidade do Rio de Janeiro completa 453 anos

Dom Orani Tempesta disse que o povo carioca e o santo padroeiro, guerreiro, têm em comum a coragem para lutar por um ideal

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Dom Orani no Largo da Carioca e o tradicional bolo gigante, organizado pela Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca) / Fotos: Gustavo de Oliveira

Por Arnaldo Rodrigues e Leonan Nicolas Soares – ArquiRio

O Rio de Janeiro, conhecido mundialmente e que tem sobre o alto do Corcovado a imagem do Cristo Redentor, completou 453 anos de fundação no dia 1º de março. O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, nas mensagens que proferiu durante as comemorações de aniversário, transmitiu esperança e paz aos cariocas, incentivando a todos a serem promotores do bem.

“Neste dia em que a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, bonita por natureza, completa seus 453 anos, desejo abraçar a todos vocês que fazem desta cidade ainda mais bonita: pelo seu povo, pelas pessoas que aqui lutam, que caminham e que buscam cada vez mais servir e trabalhar pelo bem”, disse o arcebispo.

Dom Orani participou das comemorações do aniversário da cidade: da cerimônia no Largo da Carioca, às 12h; de ato inter-religioso no Corcovado, às 16h, e de missa em ação de graças no Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, às 18h.

“Tenho certeza que, mesmo com as dificuldades que passamos e os problemas que temos, este povo de Deus que aqui caminha faz a diferença em lutar por tempos melhores e para que a paz reine em nossas fronteiras. Neste dia de hoje, cumprimento a todos os cariocas, de nascimento ou de coração, que residem nesta grande cidade, para que nós, cristãos e católicos, possamos fazer a nossa parte, de transmitir e contagiar esta nossa cidade com o bem”, disse.

Largo da Carioca

A primeira comemoração do dia foi no Largo da Carioca, com o tradicional bolo gigante, de cinco metros, organizado pela Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca).

Na companhia do pároco da Catedral, cônego Cláudio dos Santos, Dom Orani acolheu a imagem do padroeiro, São Sebastião, proferiu uma mensagem, cantou parabéns, apagou a vela e cortou o bolo, concluindo com uma bênção. A cerimônia foi animada com a apresentação da banda da Charanga Rubro-Negra.

Após a bênção da cidade, Dom Orani convidou os cariocas a fazerem a diferença, a serem protagonistas de uma cidade melhor: “Todos nós, cariocas de nascimento e de adoção, somos chamados a sermos instrumentos de paz, a fazermos a diferença, a nossa parte, em meio a tantas dificuldades e problemas na segurança. O presente que podemos dar à cidade é o compromisso na construção de uma sociedade melhor, mais humana, com gestos de paz e de fraternidade”, disse.

O presidente da Sarca, Roberto Cury, destacou a importância do evento para o cidadão carioca: “Promovemos esse evento há 29 anos, e sempre com bolo. Todo aniversário deve ser celebrado com bolo. Começamos em 1990, e nunca deixamos de comemorar o aniversário da cidade. Mesmo com  dificuldades, sempre fazemos o possível para trazer um pouco de alegria, carinho e amor para essa cidade, que hoje se encontra com um baixo astral. É preciso que levantemos esse astral através de eventos como esse e, para reforçar isso, sempre contamos com a presença da imagem do padroeiro, São Sebastião, e do Cardeal Orani”.

Corcovado

Aos pés do Monumento do Cristo Redentor, Dom Orani participou de um ato inter-religioso pela paz na Cidade Maravilhosa. Vários representantes de denominações religiosas foram acolhidos pelo reitor, padre Omar Raposo. Entre as autoridades, estava presente o prefeito Marcelo Crivella.

Aniversrio_do_Rio_2018_9_01032018191224“Esta cidade continua maravilhosa, apesar dos muitos problemas que temos enfrentado. Junto a irmãos de outras religiões, pedimos paz para o Rio de Janeiro, com a certeza de que Deus ouve nossa oração. Se construirmos juntos a paz, cada um fazendo a sua parte, teremos um lugar melhor para viver”, disse padre Omar.

Missa em Ação de graças no Santuário Basílica de São Sebastião

As comemorações, em âmbito arquidiocesano, foram concluídas no Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, com missa em ação de graças, presidida por Dom Orani e concelebrada pelo pároco, frei Arles de Jesus, e diversos sacerdotes.

“Celebrar a Eucaristia em ação de graças pelos 453 anos do Rio de Janeiro é ter consciência de que sem Deus, sem o sagrado, nada somos”, disse frei Arles.

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Reitor Frei Arles de Jesus: “Celebrar a Eucaristia em ação de graças pelos 453 anos do Rio de Janeiro é ter consciência de que sem Deus, sem o sagrado, nada somos” / Foto: Angela Zolhof

Ele também recordou sobre as relíquias – a pedra da fundação da cidade, os restos mortais de Estácio de Sá e a imagem de São Sebastião, o padroeiro, que foram colocadas juntas para a celebração.

“As três primeiras mostram o contexto histórico sociocultural e político da cidade, além dos desafios de construir uma sociedade em terras desconhecidas. São desafios que permanecem até hoje e trazem a pergunta: ‘O que deixamos de legado para as gerações futuras?’. É momento de reflexão que engloba trabalho, coragem e ética”, disse frei Arles.

“Falar do Rio – continuou o pároco – é ter consciência deste povo guerreiro que não foge diante da batalha, que independente de sua denominação religiosa, crê num Deus de amor e, assim, ajuda a construir essa identidade. Que essa caminhada quaresmal ilumine os corações de cada cidadão para que nos ajudemos mutuamente a construir o reino de paz, trilhando o caminho que termina no céu”.

Ele falou ainda que o povo carioca e o santo padroeiro, guerreiro, têm em comum a coragem para lutar por um ideal. “Somos guerreiros anônimos do dia a dia. Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração, quantos desafios vencidos e outros que hão de serem vencidos, entre sorrisos e lágrimas, suores e sangue, que constroem a história humana”.

Exemplo do padroeiro

Durante a celebração, Dom Orani ressaltou a importância de se espelhar na imagem do padroeiro da cidade, São Sebastião, e de imitar o seu testemunho e as suas virtudes.

“São Sebastião é um exemplo de coragem diante dos obstáculos da vida e de fidelidade, mesmo diante das contrariedades e perseguições. É interessante notar o seu empenho em fazer o bem ocultamente. Ele aproveitava todas as circunstâncias para semear alegria, consolo e ânimo para as pessoas próximas, embora soubesse que quando fosse descoberto poderia ter complicações. São Sebastião também pode ser reconhecido por sua prontidão em fazer a vontade de Deus e enorme espírito de serviço, pois, após recobrar a saúde, ele se volta para os outros e quer continuar fazendo o bem, sem achar que já fez muito na vida e que agora precisa repousar”, disse.

Mais fotos no Santuário Basílica de São Sebastião dos Capuchinhos

Clique duas vezes em cada miniatura para ampliar / Fotos: Angela Zolhof

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