Arquidiocese do Rio nada recebe por visitas ao Cristo Redentor

Para o cônego Marcos William Bernardo, responsável pela administração do Cristo, o que realmente incomoda é o fato de que as pessoas mais carentes não conseguem pagar o valor cobrado para acesso ao santuário

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Por: Nathalia Cardoso / Foto: Carlos Moioli (Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

A campanha “Amigos do Cristo, amigos de fé”, lançada na tarde do dia 13 de dezembro de 2016, já atingiu um de seus objetivos: o de desmentir a ideia de que a Arquidiocese do Rio recebe algum valor da bilheteria, cobrado pelo Parque Nacional da Tijuca, para quem visita o Monumento ao Cristo Redentor. A Igreja do Rio o administra e o mantém desde 1934. Hoje, apenas com o apoio dos seguintes parceiros: Pirelli, Mastercard, Samsung, Ultrafarma e a Hyundai. O segundo objetivo da campanha, de acordo com o responsável pela administração do Cristo e vigário episcopal para Comunicação Social e Cultura da arquidiocese, cônego Marcos William Bernardo, é permitir que pessoas do mundo inteiro, entre católicas e leigas, possam ser amigos do Cristo. Ou seja, que abracem o Cristo e se tornem parceiros permanentes, tomando parte na administração do monumento.

“Quando se pensa no Cristo Redentor, não se pensa apenas na construção, na parte física. A construção, com sua manutenção, é um elemento. Mas por trás dela, existem diversas ações de assistência social. Essa campanha quer motivar as pessoas a abraçarem esse, que já está de braços abertos, para que possam também estar de braços abertos para ajudar o próximo, para levar um pouco de conforto àqueles que nada têm”, pontuou o sacerdote.

Dentre as ações desenvolvidas com a ajuda dos parceiros do Cristo Redentor, está a “Ação de Amor do Cristo Redentor”, um projeto que apóia e desenvolve ações que favorecem o acesso à rede de serviços básicos por pessoas carentes. Além disso, o Cristo ajuda à Casa Maternal Mello Mattos, situada no Jardim Botânico, que cuida de crianças vítimas da violência doméstica. Também são parte das ações do Cristo as iluminações especiais visando à conscientização sobre diversos temas relevantes e a manutenção do Sistema de Comunicação da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Cidadania

Segundo cônego Marcos, só na gestão dele, que teve início em 2005, foram gastos cerca de R$ 13 milhões na manutenção do monumento. Mas para ele, o que realmente incomoda é o fato de que as pessoas mais carentes não conseguem pagar o valor cobrado para acesso ao santuário.

Para solucionar esse problema, o vigário episcopal criou, já no início de sua gestão, as peregrinações, feitas através de credenciamento de paróquias junto ao Santuário do Cristo Redentor, por meio do site www.cristoredentoroficial.com.br. Assim, com suas próprias vans ou carros, as paróquias podem levar os fiéis a visitarem o santuário sem que nenhuma taxa seja cobrada. Desde 2005, a estimativa é de que 100 mil pessoas já tenham tido acesso ao Cristo através da peregrinação.

“Nós repudiamos o fato de muitas pessoas não terem tido a chance de ir ao Cristo porque não têm dinheiro para subir. Por isso, fazemos questão de manter as peregrinações, porque é uma maneira de desenvolvermos a cidadania. As pessoas têm direito de visitar o monumento”, afirmou. “Assim, aquela senhora que nunca foi ao Cristo Redentor tem a oportunidade de ir e se sentir como qualquer outra pessoa que tenha pagado. Ela é uma peregrina e desfruta da beleza do Cristo tanto quanto os outros”, concluiu.

O limite diário de peregrinos é de 50 pessoas e o agendamento deve ser feito pelas paróquias junto ao Santuário do Cristo Redentor.

Objetivo maior

Cônego Marcos explicou que a campanha visa alcançar um objetivo maior, que é manter vivo o valor intangível que o Cristo Redentor tem.

“Quem não se sente acolhido pelo Cristo Redentor? Quem não se sente envolvido por uma magia quando está no platô do Cristo Redentor? E nem precisa estar lá, só de olhar e ver que ele está ali, o carioca já se sente protegido. Por isso precisamos tomar parte nessa campanha”, incentivou.

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